O início

Cada pessoa se apega à um esporte de uma maneira diferente e a corrida surgiu na minha vida antes mesmo do meu primeiro treino oficial em 2017.
Então farei um breve relato para situá-los.
Não entrarei no mérito de sofrer com sobrepeso há anos, mas preciso citar que sempre tive dificuldade em me manter no peso ideal.
Passando num concurso militar em 2011, me vi obrigada a perder peso, pois eu havia sido reprovada no IMC e na porcentagem de gordura, pedi recurso e tive que ir atrás do prejuízo.
Tirando esse "pequeno" detalhe de perder 6 kg em um mês, eu precisava correr um pouco mais de 1800m em 12 min, o que seria um outro desafio a enfrentar, mas cada desafio com sua devida proporção e atenção no momento certo.
Antes de ser reprovada pela primeira vez na pesagem, aconteceu um fato que até hoje me serve de incentivo.
Durante o verão (não me recordo exatamente o ano, mas seria por volta de 2010/2011) meu marido, na época namorado, me levou para correr pela primeira vez. Estavamos no litoral sul paulista e faríamos uma espécie de teste para vermos o meu ponto de partida e assim saber como agir para alcançar meu ponto de chegada que era os temidos 1850m em 12min.
Tudo pronto. Cabelo amarrado, tênis justo no pé, posicionada... Parecia que iria disputar alguma prova de metros rasos. Meu marido aciona o cronômetro e lá fomos nós por incríveis 800 metros.
Que derrota!! Me senti o coco do cavalo do bandido , com o perdão da palavra para os mais educados, mas essa frase define bem meu sentimento de derrota.
Chorei tanto, tive ânsia de vômito pelo esforço e eu só dizia: "Sou uma fracassada." . Frase um tanto pesada para uma jovem de 18/19 anos. Meu marido, paciente como sempre, me acalmava e dizia ser a primeira vez que eu tentava correr, eu não devia me por tanta pressão...
Hoje, relembrando esse episódio, parece ser tão óbvio que naturalmente eu não aguentaria correr que eu não precisava me sentir tão frustrada.
Era minha primeira corrida !!! Eu vivia de pizza, doritos e qualquer outra coisa que tivesse muito trigo, muito carboidrato e muito açúcar. Sinto que faltou compreensão comigo mesma. Imaturidade da época.
Os meses seguiram, passei no recurso da pesagem do concurso e consegui completar os 1850m em 12min que eu tanto temia. Fui para a escola militar. Lá, fiquei 2 anos e sequei bastante devido a intensa atividade física, mas a corrida não tinha me cativado ainda. Fazia tudo por obrigação.
Acelerando a passagem do tempo, chego agora no momento em que minha vida mudaria completamente e eu nem imaginava o quanto seria bom.
Casei, engravidei e engordei 24kg durante a gestação, chegando aos 96 kg.
Tentei me manter ativa durante a gravidez, porém a placenta baixa nos primeiros meses e a  ansiedade do parto no último mês não me ajudaram muito e só me faltava comer o reboco da parede para me acalmar (ansiosos me entenderão).
Após um ano e meio pós parto, me via com 80 e tantos kg distribuidos em 1,71m de altura.
Iniciei jejum intermitente por conta própria em outubro de 2016 e em dezembro, aos 75kg, passei a fazer a lista de metas para 2017 - hábito que tenho até hoje - e , apesar de imensa, eu destacava as mais importantes e durante uma conversa com meu marido, eu disse que tinha vontade de fazer uma corrida de rua e que tinha inscrição aberta para a Meia Maratona Internacional de Belo Horizonte. Meu marido, sem exitar com os 21km para uma pessoa sedentária, me incentivou e disse "Como você é mão fechada, pagando a inscrição, você se forçará a treinar". Dito e feito. Nos primeiros dias de janeiro de 2017 fiz minha incrição para os 21.097,5m.
O objetivo era completar a meia maratona sem caminhar por um metro, e assim apresento à vocês, o início dessa minha jornada.

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